Eu e Jesus:

história de uma devota não crismada

2-eu-e-jesus-img-site.jpg

     O que eu mais gosto da história de Jesus é que ela não termina na Cruz. Não! Não se engane: esse não é um texto religioso.

 

     Não fiz catequese, nem primeira comunhão. Meus pais bem que tentaram. Mas um papo sobre a questão do batizado, que li na "Bibliazinha" da Turma da Mônica - uma publicação especial dos anos 90 que minha mãe havia me dado para me incentivar a ir à missa -, deixou minha pobre Alminha infantil tão aflita, que acabou que nunca me liguei a nenhuma religião.

     - Mas mãe, como pode!? - afligia-me eu toda, a pequena Mariana. - A Natália e o Mateus - (meus primos) - não são batizados!! - (eram espíritas). - Eles vão para o inferno?? Eles são como pedra? Não tem Alma? 

     - Não, Mariana! - tentava acalmar minha mãe. Até que desistiu. - Esquece aquilo! Você não precisa mais fazer catequese, ok? - sentenciou por fim Dona Sandra, com seus cabelos cacheados de permanente, leves como nuvem, numa noite quente de aniversário em família. E, assim, pondo fim à minha agonia.

 

(E, com ela, minha carreira de "fiel oficial" na Igreja Católica. Até hoje nunca provei hóstia consagrada, não sei que gosto tem, mas confesso, acho uma pena, pois até hoje sinto vontade de comungar. Enfim...).

     A questão é, apesar de ter voltado poucas vezes à missa, a figura de Jesus nunca me deixou. Seja com seus olhos penetrantes, na figura do quadro pendurada na casa da minha avó; ou estampada na carreta de um caminhão a passar pela Rodovia Presidente Dutra; ou num retiro de Yoga em Nazaré Paulista. Jesus sempre dava um jeito de "aparecer" para mim - ou eu o notava, se assim o prefere - em momentos que sua ajuda mais me poderia ser bem-vinda. 

     Coincidência? Acaso? Sincronicidade? Fé? Não sei ao certo como podemos chamar (se é que é esse mesmo o x da questão). A verdade é que, ao longo da vida, colecionei em meus cadernos inúmeras frases dos ensinamentos de Jesus. Foi Ele que um dia me sustentou em pé, literalmente, no momento mais difícil da minha vida.

     Lembro-me de uma cena do filme 'A Paixão de Cristo' em que Jesus é atormentado por seus pensamentos e acometido por tamanho pânico, no dia que seria a sua crucificação, que me senti unida a ele.

 

     É Dele também uma frase que me marcou bastante e que dizia muito sobre o que habitava em meu coração naqueles dias ansiosos. Algo como: 

     "Nesse mundo sofrereis aflições, mas tende bom ânimo,

pois Eu venci o Mundo". 

     Como é belo isso! Sim, meus amores, se nos sintonizarmos apenas com o mundo, distorcido, louco, caótico, poderemos cair em desânimo. Mas, tão simples, tão Universal, tão perto de todos nós está o Reino de Deus; aquela Paz que nos habita, que nunca se afasta, e que encontramos no silêncio de nossas mentes e coração. No Templo que é o nosso próprio corpo, independente de qualquer religião.

     Para mim o ponto é: a história de Jesus não terminou na Cruz! A parte mais maravilhosa de sua história, a nos ensinar como Heróis de nossas vidas, foi a Ressureição: a nossa capacidade de nos ligar com aquilo que é imutável, com a Alma.

     "A única razão que lhes falei da crucificação, foi para mostrar-lhes que vocês poderiam superá-la", foi outro de seus ensinamentos. No entanto, em nossa jornada interna como Humanidade, tenho a impressão que ficamos enroscados no ato da Crucificação; continuamos nos ligando à nossa fé com um peso de culpados pecadores; tristes, resignados, carregando uma Cruz que o próprio Jesus afirma que já a transcendeu por nós. 

     Para quê nos re-ligar com o sofrimento? Passemos para o Renascer, para o Amor, o Contentamento; a Glória da Ressurreição. Vivamos nossa divindade, minha pobre gente! É isso para mim a lembrança da Páscoa. 

     Quanto à Jesus, só posso agradecer que sua presença existe e que me iluminou e continua a iluminar por tantos momentos, independente de religião ou hóstia consagrada. 

    Ps: Desculpem se cometi algum erro cristão nessa história, não foi minha intenção ofender, sou mesmo péssima com parábolas Bíblicas. Eu só queria lembrar dessa fábula bonita que circula há mais de dois mil anos em nossa história coletiva e que vem sempre para nos relembrar de manter viva aquela chama divina que habita dentro de nós; daquela máxima que diz tanto sobre nossa própria natureza: amai-vos! 

    Feliz Páscoa seres-humaninhos! Feliz Renascimento! Renasçamos todos nós, todos os dias, para a presença divina do amor entre nós. Nossa Morada na Terra depende dela.

Beijos da devota não-crismada,

Mary Sweet.