Conversas com o banco da praça

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Você por acaso já pensou como seria se o banco da praça falasse? Já pensou também, ou só eu na minha loucura? 

Eu me pego com frequência pensando no banco da praça… Na persona do banco da praça, sabe?

Que praça? 

Bem; não sei… Qualquer uma na verdade! Sua cidade deve ter uma praça, não tem?

Então! Essa! 

Pense num banco… Qualquer banco. O que ele teria pra te dizer se você quisesse ouvir? 

A minha praça é vaga, não tem nome. Mas certamente está no centro da cidade. Talvez a Matriz, de Ribeirão Preto, minha cidade atual. 

Fico pensando no que ele me diria... Talvez esteja só me esperando. Esperando alguém que o escute, que lhe demonstre interesse… 

Imagine de quantas coisas ele já não sentiu a vibração? 

Porque você sabe, né,  na essência tudo é vibração, energia. Sabe? Aquele lance da física quântica, das partículas sub-atômicas, de que o Universo não é feito por coisas (matéria), mas sim por redes de energia vibracional? Então! A energia das coisas pode ser sentida! 

No nível da energia, tá tudo interconectado; não há separação. 

A matéria é quase uma ilusão. Tudo é átomo, e se o átomo for ampliado, nele existe muito mais espaço 'vazio' do que matéria. E esse espaço nem é totalmente vazio, dizem; parece que estamos imerso num vasto oceano, repleto de energia, eletromagnética, gravitacional, que sustenta tudo. Logo, se você pensar, nesse espaço todos somos um. 

Papo metafísico esse meu hein? 

Então! O banco da praça poderia falar tudo isso… 

Pensa: ele não tem essa ilusão que nós, seres humanos, temos da realidade...

Que ela gira em torno de nós; que nós somos os mais importantes; que o Universo se importa com os nossos títulos sociais; com o nosso sobrenome; com o número de seguidores; que conhece o nosso pai, avô, gerente do banco...

O banco é perene; é humilde; sabe o seu lugar. 

E seu lugar é junto com tudo o resto; com todos os outros. Com a gente, com o ar, com o cocô do pombo, com o musgo que nasce da umidade de suas pedras...

Pra ele é tudo igual! Tá tudo na mesma casa! Tudo parte de um mesmo todo. 

Taí: eu acho que o banco da praça nos daria uma bela lição de humildade quântica, isso sim! 

Eu acho que muitas pessoas se entregaram como nunca, a nenhuma outra pessoa, local ou circunstância, como ao banco da praça. Muitos; tenho certeza! 

Pensa: quem não é si mesmo ao sentar num banco de uma praça? Num intervalo de almoço; na puxada de um cigarro; tomando um sorvete; esperando uma missa… Quem não é si mesmo naquele singelo instante sentado no banco da praça?

O banco não espera nada em troca! O banco não requer que você mantenha a pose; que impressione ninguém!

Ele sabe quem você É; e ele tá de boa com isso. Não tem nada de mais, nem nada de menos. Tá tudo certo pro banco da praça!

Ele só fica ali; esperando; sendo. Aceitando tudo que chega, e absorvendo um pouco de cada um; de cada substância. 

Aceitando a impermanência; tudo É mesmo; não faz diferença.

Mas não essa indiferença sofrível, de quem não tá nem aí pra nada; depressiva.

Não! 

A sabedoria do banco é outra. 

Ele sabe que tanto faz, porque tudo é o mesmo e tudo é bom, de qualquer jeito!

Pode até ser que um dia dele se levante alguém que ele pense gostar mais; por quem ele tenha um vislumbre de apego; pode - até - pensar em dessa vez sofrer; mas ele já viveu muito e sabe que é em vão; que tudo passa mesmo. Não adianta lutar contra. A impermanência É a lei suprema da vida. A vida É impermanência. Então para que se apegar? Para que sofrer? 

Melhor mesmo é curtir tudo que chega! Tudo tem algo pra ensinar… Tudo tem algo de bom pra mostrar (ou algo de ruim pra integrar).

Tudo são formas diferentes de vibrar essa mesma energia ampla que sustenta tudo, e que podemos, porque não, chamar de Amor; Deus; Vácuo Quântico. Sei lá! Usemos o nome que for, não importa! 

Quanto a mim: eu me contento com essa Visão.  

Eu me contento com a sabedoria do banco da praça.

Ufa! Acho que é isso! Acho que é isso que ele me diria*...

*(Na verdade, hoje, em tempos de Covid-19, ele diria mesmo para eu ficar longe; me prevenir.)

 

De qualquer modo, da próxima vez vou perguntar!

Se ele me disser algo, eu volto pra contar a vocês...

Obrigada por ler. Com amor para seus dias doces, 

Mary Sweet.